segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Para o ano há mais...

2008. O ano do regresso do Dr. Indy. Indiana Jones, naquele que se espera seja um regresso em grande.

Até lá, boas entradas e vemo-nos em 2008.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Colateral


Ano: 2004
Título original: Collateral
Realizador: Michael Mann

Oscares: 0 [2 nomeações]
Tagline: "It started like any other night "

Sinopse: Vincent (Cruise) é um assassino contratado por um cartel de narcotraficantes que, ao descobrir que vão ser acusados por um júri federal, decidem eliminar as testemunhas chave. Max (Foxx) é taxista há 12 anos e sempre esqueceu as caras que vê no seu espelho...até hoje. Vincent vai forçá-lo a ir até cada uma das testemunhas...

*****
Apreciação: O realizador de Heat, o Informador ou O Último dos Moicanos, que teve a sua recruta na televisão, em Miami Vice, realiza um portentoso filme de acção. Beneficiando de um elenco onde Jamie Foxx é magnífico na composição de um homem normal e Cruise fantástico na capacidade de sugerir uma força maligna que permanece escudada numa capa de frieza e elegância, a realização é perfeita e inteligente, num conceito de cortar a respiração, com a acção a decorrer durante uma noite, entrecortada por diálogos absorventes.
Pontuação: 8/10

sábado, 29 de dezembro de 2007

Call Girl



Hummm...o poster promete. Suculento, sem dúvida.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Colisão


Ano: 2004
Título original: Crash
Realizador: Paul Haggis

Oscares: 3 [melhor filme, melhor argumento, melhor edição]
Tagline: "You think you know who you are. You have no idea."

Sinopse: Uma dona de casa e o seu marido advogado estatal. Um persa dono de uma loja. Dois polícias detectives que são também amantes. Um director de televisão afro-americano e a sua mulher. Um mexicano serralheiro. Dois ladrões de automóveis. Um polícia recruta. Um casal coreano de meia idade… Todos vivem em Los Angeles. E durante as durante as próximas 36 horas irão todos entrar em colisão.

*****
Apreciação: "Crash" olha, de forma provocadora e inflexível, sobre a tolerância racial na América actual. É uma estreia em grande na realização de Paul Haggis, o habitual argumentista de Clint Eastwood, responsável pelo guião de "Million Dollar Baby", que aborda um tema sempre polémico e delicado, surpreendendo o espectador pela complexidade dramática, pela forma inteligente com que filma, pelo desconforto que ciria em quem visualiza. Absolutamente indispensável.
Pontuação: 9/10

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Poseidon


Ano: 2006
Título original: Poseidon
Realizador: Wolfgang Petersen

Oscares: 0 [1 nomeação]
Tagline: "Mayday "

Sinopse: É quase meia noite do dia 31 de Dezembro quando, em alto mar no Oceano Atlântico Norte, milhares de pessoas se preparam para festejar a passagem de ano a bordo do enorme navio cruzeiro Poseidon. Quando o novo ano era aguardado com todos os requintes no salão principal, uma onda colossal embate no navio, virando-o completamente do avesso. Algumas centenas de passageiros conseguem sobreviver ao monstruoso choque, mas estão agora presos no navio, abaixo da linha de água. Como conseguirão salvar as suas vidas?

*****
Apreciação: Poseidon, remake do homónimo filme de 1072, tenta utilizar, sem sucesso, a fórmula dos filmes-catástrofe. Wolfgang Petersen, habituado ao tema dos desastres marítimos, depois do fabuloso "Das Boot" e do excelente "A Tempestade", procurava aqui a recuperação do fiasco de bilheteira aos comandos do "Tróia". Não o conseguiu. Pese alguns momentos de tensão, o filme nunca consegue estabelecer uma perspectiva dramática que consiga dar ressonância à calamidade. Competente na vertente técnica, mas com um argumento esquemático e previsível, tem uma ambiência claustrofóbica e uma eficaz gestão do ritmo. Feito para ser um blockbuster, procura esse sentido de espectáculo grandioso, em detrimento de tudo o resto. Vê-se, mas não fica na memória.
Pontuação: 5/10

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Reféns


Ano: 2005
Título original: Hostage

Oscares: 0
Tagline: "Would you sacrifice another family to save your own?"

Sinopse: Abalado por uma tragédia ocorrida durante o seu trabalho de negociador de reféns da polícia de Los Angeles, Jeff Talley (Willis) aceita tornar-se chefe de polícia de uma pequena e pacata cidade. Mas numa manhã, o trabalho de Jeff vai ser tudo menos pacato, quando é colocado numa inesperada situação de uma família feita refém por três adolescentes.

*****
Apreciação: Um thriller com Bruce Willis parecia, à primeira vista, uma boa opção para uma compra. Erro crasso. Este Hostage é um thriller baratucho, um amontoado de clichés, tornando-se uma imensa monotonia, sem ideias que o salve. Um filme previsível, totalmente dispensável. A evitar, a todo o custo. Ah, e até Bruce Willis se deixa levar na onda, com uma interpretação miserável.
Pontuação: 2/10

domingo, 23 de dezembro de 2007

Déjà Vu


Ano: 2006
Título original: Deja Vu
Realizador: Tony Scott

Oscares: 0
Tagline: "If you thought it was just a trick of the mind, prepare yourself for the truth"

Sinopse: Todos nós já tivemos a inquietante experiência de déjà vu – aquela lembrança súbita quando nos cruzamos com alguém que sentimos que conhecemos a vida inteira ou quando reconhecemos um lugar onde nunca estivemos. E se estas sensações forem de facto avisos vindos do passado ou pistas para o futuro? Destacado para recolher provas após o rebentamento de uma bomba num ferry em Nova Orleães, o agente Doug Carlin (Washington) está prestes a descobrir que aquilo que muitos acreditam estar somente nas suas cabeças é, de facto, algo muito mais poderoso...

*****
Apreciação: Este thriller foge aos convencionalismos comuns. Não é o mero produto pipoqueiro, daqueles blockbusters de Verão. É inteligente, com uma intriga que, mesmo deixando algumas pontas soltas, nos fascina e cativa, numa fita recheada de acção e tensão. Com a chancela na produção de Bruckheimer, destaco uma cena: uma f-a-b-u-l-á-s-t-i-c-a perseguição automóvel, terrivelmente inovadora. Mais uma excelente interpretação de Denzel Washington, com um surpreendente James Caviezel [pelo menos para mim, que não gosto muito do actor] a monopolizar algumas cenas. Tony Scott, o realizador, irmão mais novo de Ridley Scott, faz aquilo que melhor sabe: um filme frenético.
Pontuação: 7/10

O Terceiro Passo


Ano: 2006
Título original: The Prestige
Realizador: Christopher Nolan
Actores: Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine, Piper Perabo, Scarlett Johansson, David Bowie, Andy Serkis

Oscares: 0 [2 nomeações]
Tagline: "A Friendship, That Became a Rivalry...A Rivalry, That Became a Battle"

Sinopse:Desde a primeira vez em que se encontraram como jovens mágicos em ascensão, Robert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale) competiram entre si. No entanto, a sua competição amigável evoluiu para uma rivalidade amarga, transformando-os em inimigos para toda a vida e, consequentemente, pondo em risco a vida de todos os que os rodeiam.
*****
Apreciação: Esta nova parceria entre Christopher Nolan, o realizador do fabuloso Memento e Batman, e Christian Bale, que deu vida ao homem-morcego da versão Nolan, é um filme soberbo sobre a obssessão e a vingança. Como já tinha feito em Memento, a construção narrativa não obedece aos cânones normais, com a cronologia a surgir desordenada. O cuidado com que são lançadas as pistas para os mistérios e as múltiplas revelações é magistral. Um filme imperdível, inteligente, com um elenco magnífico, onde se destaca Bale, provavelmente o melhor actor da actualidade. Destaque ainda para a participação de David Bowie, dando vida ao real Nikola Tesla, um inventor visionário, criador da tecnologia de radar e da corrente alternada, mas incompreendido pelos seus pares. O conhecido cantor está agradavelmente excelente na pele da personagem. Uma última nota para Andy Serkis, o Gollum da saga do Senhor dos Anéis, aqui em carne e osso.
Pontuação: 8/10

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Gothika


Ano: 2004
Título original: Gothika

Oscares: 0
Tagline: "Because someone is dead doesn't mean they're gone."

Sinopse: Na prisão psiquiátrica dirigida pelo marido, Miranda Grey (Berry), uma brilhante psicóloga, trata doentes perigosas. Mas um dia Miranda vê-se também presa na instituição, acusada da morte do marido, um crime que não lhe deixou qualquer lembrança...

*****
Apreciação: Mais uma obra que, mais do que procurar beber a inspiração de filmes como Sexto Sentido, tenta ser uma cópia fiel, ou quase, do galardoado filme de Shyamalan. Longe de ser um mau filme, é apenas mais um thriller com toques de sobrenatural, apresentando um visual estilizado e assustador e, para não variar, com o surpreendente twist final. Merece uma vista de olhos, mas é rapidamente esquecido, cumprindo a sua função de filme de mero entretenimento.
Pontuação: 5/10

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Homem em Fúria


Ano: 2004
Título original: Man on Fire
Realizador: Tony Scott
Actores: Denzel Washington, Dakota Fanning, Christopher Walken, Radha Mitchell, Giancarlo Giannini, Marc Anthony, Mickey Rourke


Oscares: 0
Tagline: "Revenge is a meal best served cold"


Sinopse: Creasy (Washington) é um agente governamental que já viu demasiada violência e corrupção. Relutantemente, aceita proteger uma criança de uma família da Cidade do México, onde os raptos se tornaram constantes. Creasy acaba por se afeiçoar à rapariga e, quando esta é raptada, vai libertar toda a sua fúria...

*****
Apreciação: Convenhamos que a história não deve muito à originalidade, mas é extremamente eficiente em termos dramáticos. Denzel Washington, como sempre, está como peixe na água, desempenhando na perfeição o papel de anjo em fúria. Se falamos no veterano actor, o que dizer de Dakota Fanning? Nascida em 1994, tem outro desempenho magnífico, deixando antever um futuro promissor. E é sobre os dois personagens interpretados pelos actores, e a relação emocional que criam, que o filme gira, numa história em crescendo, com a violência estilizada, tão ao gosto de Scott, a pontuar as duas horas de duração da fita. Portentoso filme de acção.
Pontuação: 8/10

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Hostel


Ano: 2005
Título original: Hostel
Realizador: Eli Roth

Oscares: 0
Tagline: "Welcome To Your Worst Nightmare"

Sinopse: Os amigos de universidade Paxton e Josh viajam de mochila às costas através da Europa, ansiosos por arranjar as clássicas memórias de viagem com o seu novo amigo Oli, um islandês. Eventualmente, Paxton e Josh são atraídos por um viajante para o que é descrito como "uma terra onde corre leite e mel" para os turistas americanos - uma estalagem numa cidade eslovaca remota cheia de mulheres europeias de Leste tão desesperadas quanto bonitas. Os dois amigos chegam e constactam que tudo corresponde ao que foi dito. Sexo fácil a rodos. De facto, demasiado fácil... Inicialmente distraídos pelo bom bocado que estão a passar, os americanos depressa se encontram numa situação cada vez mais sinistra...

*****
Apreciação: Apadrinhado por Tarantino, este novo filme de Eli Roth, o sucessor do razoável "A Cabana do Medo", apresenta as características esperadas: sangue a rodos, violência graficamente explícita, numa sucessão de horrores que nos mantêm sobre permanente tensão. Sem ser brilhante, apresenta algumas novidades a um género cinéfilo sedento por elas, com alguns diálogos a serem macabramente irónicos e com uma intensidade bem gerida. Aconselhável apenas a estômagos fortes. O turismo da Eslováquia é que não deve ter achado grande piada...
Pontuação: 5/10

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O Tesouro


Ano: 2004
Título original: National Treasure
Realizador: Jon Turteltaub

Oscares: 0
Tagline: "In order to break the code, one man will have to break all the rules."

Sinopse: Benjamin Gates (Cage) é um brilhante caçador de tesouros. Toda a sua vida procurou por um tesouro que ninguém acreditava existir. Foi escondido pelos fundadores da nação americana, que deixaram pistas no Capitólio, nas notas de dólar e na Declaração de Independência...

*****
Apreciação: Surgido na altura em que o boom de romances "à Dan Brown" estava na moda, este Tesouro é algo híbrido, uma mistura de filme de acção, comédia e thriller. Consegue ser um produto acima da média, com a sua dose de mistérios, um protagonista com carisma, os vilões de serviço e muita aventura, a fazer lembrar os filmes de Indiana Jones. Com a chancela da Disney, mantêm a atenção do espectador no máximo, cumprindo a tarefa de entretenimento ligeiro, para ver em família.


Pontuação: 5/10

A Sentinela


Ano: 2006
Título Original: The Sentinel
Realizador: Clark Jonhson
Actores: Michael Douglas, Kiefer Sutherland, Kim Basinger, Martin Donovan, Eva Longoria

Oscares: 0
Tagline: "In 141 years, there's never been a traitor in the Secret Service.... Until Now."

Sinopse: O agente especial Pete Garrison (Douglas) está convencido de que um neo-nazi conseguiu infiltrar-se na Casa Branca. Um agente da Casa Branca é assassinado e Garrison é incriminado e começa a ser chantageado por ter um caso com a Primeira Dama Sarah Ballentine (Bassinger). Ele é dispensado dos seus deveres, mas não pára de tentar provar a sua inocência e salvar a vida do Presidente. Enquanto tenta descobrir a pessoa responsável por tudo, entra em confronto com o seu protegido, o agente Breckinridge (Sutherland).
*****
Apreciação: Muita parra e pouca uva. O filme tem lá quase tudo: as perseguições, os tiros, a tensão, mas nada consegue ser arrebatador. E é pena. Com uma intriga minimamente credível, com um lote de actores da 1ª divisão, tudo decorre sem chama, de forma previsível e com um final patético. As interpretações deixam também muito a desejar, com Kiefer Sutherland a ser pouco convincente, mantendo a expressividade trazida da série "24", Michael Douglas a cumprir o que se lhe pede e a carinha laroca da praxe, a cargo da nova namoradinha da América, a Mrs. Tony Parker. Muito pouco, num filme igual a tantos outros. Dispensável.
Pontuação: 3/10

State and Main



Ano: 2000
Título original: State and Main
Realizador: David Mamet

Oscares: 0

Tagline: "When a film crew came to Waterford, Vermont - They Shot First And Asked Questions Later."


Sinopse: Uma equipa de filmagens chega à pequena cidade de Waterford, Vermont, com vista a utilizá-la para a rodagem do filme de época «The Old Mill». O realizador Walt Price (Macy) e o produtor Marty Rossen (Paymer) fazem o possível para contornar quaisquer impedimentos do início da rodagem. A actriz principal, Claire Wellesley (Parker), recusa-se filmar uma cena em topless, surge o problema de como colocar o “product placement” a uma dot.com numa história passada no Séc. XIX e há que abafar as consequências do “hobby” do “galã” Bob Barrenger (Baldwin): raparigas de 14 anos. Entretanto, o argumentista Joseph Turner White (Hoffman) luta contra o sistema e com os seus princípios, ao ter de optar entre compromissos artísticos e morais ou o fim da sua carreira.


Apreciação: É um filme de David Mamet, e isso diz muito quando à excelência do argumento. Uma sátira ao mundo dos filmes, com Hollywood à cabeça, retratando de forma genial as desvairadas criaturas que por lá pululam. Tudo isto a pretexto da rodagem de um filme numa cidadezinha americana. O humor, corrosivo, não poupa ninguém. A escrita subtil de Mamet aparece aqui com grande fulgor, num enredo inteligente, de implacável humor, e com o milagre acrescido de transformar, por momentos, Alec Baldwin num actor a sério. Imperdível.

Pontuação: 8/10

domingo, 16 de dezembro de 2007

Três Reis


Ano: 1999
Título original: Three Kings
Realizador: David O. Russel
Actores: George Clooney, Mark Wahlberg, Ice Cube, Spike Jonze

Oscares: 0
Tagline: "In a war without heroes they are kings"

Sinopse: Março de 1991: fim da guerra do Golfo. Dois soldados americanos, Barlow (Wahlberg) e Vig (Jonze, o realizador de «Being John Malkovitch»), encontram um mapa que parece apontar a localização dos bunkers onde Saddam Hussein tem escondido o ouro roubado do Kuwait. A história chega aos ouvidos do Major Gates (Clooney), que convence os dois homens a juntarem-se a ele e ao sargento Elgin (Ice cube), para juntos procurarem a fortuna que os livrará do regresso ao emprego que tinham antes do conflito.

Apreciação: Na primeira incursão americana ao Golfo, naquela que se dizia ser a guerra mais mediatizada de sempre, afinal viu-se, ou televiu-se, muito pouco. Esta visão de David Russel é, antes demais, profundamente irónica sobre o papel dos media no conflito e da desinformação própria de um grande conflito. Sem aparentemente fazer juízos de valor, foge aos estereotipos dos filmes de guerra. No plano visual, o tratamento dinâmico dado à imagem faz toda a diferença, com a alternância entre as cores dominantes, a utilização deliberada do excesso de grão ou do saturamento. Tem uma mensagem algo panfletária, uma espécie de filme anti-guerra, satirizando a intervenção militar em países estrangeiros com discurso moral mas motivações político-económicas. Pena que se deixe arrastar, no final, para um desfecho mais tradicional e dentro dos cânones, com os soldados a efectuarem a boa acção da praxe. Mesmo assim, possui excelentes momentos de cinema.
Pontuação: 7/10

A Última Hora


Ano: 2002
Título original: 25th Hour
Realizador: Spike Lee

Oscares: 0
Tagline: "This life was so close to never happening"

Sinopse: Nova Iorque, 2002. Monty Brogan (Norton) vive as 24 horas que precedem a sua recolha a uma penitenciária, onde irá cumprir sete anos de prisão por tráfico de droga. (Algo no sistema judicial americano permitirá que não tenha ficado preso depois da leitura da sentença, supomos). Durante as últimas horas de liberdade, Monty procura o pai, James (Cox) e combina um encontro de despedida com os seus dois melhores amigos, Jacob Elinsky (Hoffman) e Francis Slaughtery (Pepper), onde está também presente a namorada, Naturelle (Dawson), com quem vive. Nesse período de tempo, reflecte sobre a sua vida e os erros cometidos, questionando-se também quem é que o teria traído.

*****

Apreciação: O pós 11 de Setembro bem presente, neste filme que é, antes de tudo o mais, uma homenagem à cidade causticada pelos atentados. Numa reflexão sobre a vida, Spike Lee pede meças a Scorcese, como grande cronista da cidademais prodigiosa do Mundo. A Última Hora abre, emblemática, com um tremendo plano do feixe de luzes, substitutos das Torres Gémeas. Estava dado o mote para aquele que é quase unanimemente considerado o melhor filme de Lee. Aproveitando o elenco de enorme qualidade, o realizador negro transforma as personagens em seres que carregam em si a culpa dos sobreviventes, de espírito sombrio. Não é um filme optimista, antes taciturno. Nova Iorque mudou. E o filme demonstra-o. A história é poderosa. Nunca um drama me fascinou tanto.
Pontuação: 9/10

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O Atirador


Ano: 2007
Título original: Shooter
Realizador: Antoine Fuqua

Oscares: 0
Tagline: "Yesterday was about honor. Today is about justice."

Sinopse: Bob Lee Swagger (Mark Wahlberg) é um atirador furtivo que, devido a uma traição, acaba por sair dos Marines. Um dia, apesar de se ter retirado para uma localidade remota, é abordado pelo Coronel Isaac Johnson (Danny Glover), que lhe diz que o seu país precisa desesperadamente dele: uma tentativa de homicídio do presidente está eminente, e a perícia de Swagger torna-no no homem ideal para o impedir. Swagger aceita o trabalho com relutância, sem desconfiar que tudo não passa de uma armadilha...

*****
Apreciação: Como obra de acção, não defrauda as expectativas. Tentando utilizar um tom ácido de crítica à democracia americana, vive fundamentalmente do espectáculo pirotécnico de que se rodeia, com tiros e explosões capazes de envergonhar qualquer conflito regional. Mark Wahlberg tem aqui um desempenho pouco expressivo, parecendo actuar de piloto automático ligado. Em resumo, um filme que garante entretenimento e acção em doses industriais, mas que não escapa ao estereótipo que persegue este tipo de filmes. Não sendo mau, nada acrescenta ao género em si, mas permite passar hora e meia entretido.
Pontuação: 5/10

Apocalypto


Ano: 2006
Título original: Apocalypto
Realizador: Mel Gibson

Oscares: 0 [3 nomeações]
Tagline:"When the end comes, not everyone is ready to go"

Sinopse: No turbulento fim dos tempos de outrora, na grande civilização Maia, quando a sua idílica existência é brutalmente posta em causa por uma violenta força invasora, um homem é levado numa perigosa viagem por mundo governado pelo medo e opressão onde um fim agonizante o espera. Porém, através de um assomo de esperança e impelido pelo poder do amor que tem pela sua mulher e família, ele iniciará uma fuga desesperada para voltar a casa e por fim, conservar o seu modo de vida.

Apreciação: Mel Gibson continua a surpreender e a não se deixar reger pelas normas vigentes do establishment cinematográfico. Para este novo projecto, que procura retratar os dias finais do requiem da civilização Maia, o realizador recorreu a actores desconhecidos, mantendo a opção, tal como na Paixão de Cristo, pelo uso do dialecto original. O filme, graficamente forte, com cenas de forte conteúdo violento, é uma parábola simplista sobre a maldade e iniquidade de uma civlização outrota grandiosa, em contraponto com a simplicidade e bondade nos indígenas. Talvez algo superficial na abordagem, mas de uma beleza plástica cativadora, é um espelho da sociedade moderna, onde os valores éticos são subjugados pela mentalidade capitalista e fanático-religiosa.
Pontuação: 8/10

Borat


Ano: 2006
Título original: Borat - Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan
Realizador: Larry Charles
Actores: Sacha Baron Cohen, Ken Davitian

Oscares: 0 [1 nomeação]
Tagline: "High Five!"

Sinopse: Borat, um importante repórter da Televisão do Cazaquistão, é enviado aos Estados Unidos da América para fazer um documentário sobre o maior País do mundo. Na cidade de Nova Iorque na companhia da sua primitiva equipa de reportagem, Borat está mais interessado em encontrar a "boa" da actriz Pamela Anderson para a pedir em casamento, do que outra coisa...

Apreciação: Borat adopta o tom de documentário falso. Ponto de partida. Depois disso, só visto, tudo feito com um tom moralmente incorrecto, irresponsável, seja qual for o tema abordado. Borat não faz concessões. É genuíno no seu absurdo, conseguindo no entanto arrancar gargalhadas mesmo ao mais sisudo espectador. Se se consiserar esta obra uma comédia está tudo dito. Funciona, pelo barómetro da eficácia do riso. Consegue ser repugnante e ofensivo, mas aborda temas bem mais complexos. O choque de culturas, que nos faz sorrir, mas também pensar [atenção à cena do cowboy de rodeo a falar sobre os estrangeiros]. Em suma, um filme a fazer lembrar uma sessão tuga de stand-up comedy.
Pontuação: 7/10

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Diabo veste Prada


Ano: 2006
Título original: The Devils Wears Prada
Realizador: David Frankel

Oscares: 0 [2 nomeações]
Tagline: "Hell On Heels."

Sinopse: Andrea Sachs (Anne Hathaway) é uma jovem que conseguiu um emprego na Runaway Magazine, a mais importante revista de moda de Nova York. Ela passa a trabalhar como assistente de Miranda Priestly (Meryl Streep), principal executiva da revista. Apesar da chance que muitos sonhariam em conseguir, logo Andrea nota que trabalhar com Miranda não é tão simples assim.

Apreciação: A enésima adaptação de um livro ao cinema. Desta feita, celebrizado por se inspirar numa figura mítica, a directora artística (e tirânica) de uma revista de alta costura, mostra o glamour de que se reveste o mundo da moda. No entanto a abordagem é meramente superficial, optando mais por uma retórica moralista. Um embrulho vistoso, mas com uma série de anedotas que se tornam repetitivas e pueris. Vive do trabalho fantástico de Meryl Streep, nomeada ao Oscar de Melhor Actriz por este interpretação. Leva uma espécie de suficiente menos...
Pontuação: 5/10

Cercados



Ano: 2001
Título original: Black Hawk Down
Realizador: Ridley Scott
Actores: Josh Hartnett, Ewan McGregor, Tom Sizemore, Eric Bana, William Fichtner, Sam Shepard, Ioan Gruffudd, Jason Isaacs

Oscares: 2 [melhor edição/melhor som] + 2 nomeações
Tagline: "Leave No Man Behind"

Sinopse: Guerra da Somália, 3 de Outubro de 1993. Missão: uma força de elite de 120 soldados norte-americanos é largada dos céus na cidade de Mogadíscio, com o objectivo de capturar dois dos principais tenentes de Mohamed Farrah Aidid, o senhor da guerra da Somália.A operação relâmpago começa e inesperadamente parece que todos os homens, mulheres e crianças de Mogadíscio se juntam e levantam armas contra os americanos. Quando dois aparentemente invencíveis helicópteros Black Hawk são abatidos, inicia-se uma desesperada corrida contra o tempo para salvar as tripulações sobreviventes e os soldados que estão no solo.Uma batalha brutal entre rangers norte-americanos e centenas de somalis num cenário de morte...
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Apreciação: Esta adaptação do livro de Mark Bowden, que retrata a desastrosa intervenção americana na Somália, é um filme de guerra na verdadeira acepção do termo. Intenso, dramático, de um realismo obsessivo, aborda uma situação específica do conflito, conferindo-lhe uma dimensão humana de puro extremismo. Cnsegue ser também um filme político, sublinhando de forma assertiva a inevitável complexidade factual. Com um elenco forte e umas sequências de acção fabulosas, é um dos meus predilectos filmes de guerra. Um must!
Pontuação: 8/10

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Porcos & Selvagens


Ano: 2007
Título original: Wild Hogs
Realizador: Walt Becker

Oscares: 0
Tagline: "A lot can happen on the road to nowhere."

Sinopse: Um grupo de amigos de meia-idade decide "aumentar as rotações" das suas rotineiras e suburbanas vidas com uma descontraída viagem de mota. Fazendo uma muito desejada pausa, dos seus empregos cheios de stress e das suas responsabilidades familiares, mal podem esperar pela sensação de liberdade da estrada livre. Quando este quarteto de amigos tão diferentes, mais habituados ao sofá do que à sela, parte para a experiência das suas vidas encontram um mundo que oferece muito mais do que aquilo que esperavam. A viagem começa a desafiar os seus espíritos e a sua sorte, especialmente durante uma rixa com os Del Fuegos, um gang de motards "à séria" que estão pouco impressionados com a abordagem destes novatos. À medida que vão em busca de aventura, eles rapidamente descobrem que embarcaram numa viagem inesquecível.

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Apreciação: Com um elenco assinalável, repleto de qualidade, este Wild Hogs tinha obrigação de ser melhor. Bastante melhor, aliás. Não que o filme não cumpra aquilo a que se propõe. Consegue cumprir a sua função de entretenimento, facilmente esquecível, se o espectador não for muito exigente. Sem grandes momentos hilariantes, vive dos clichés habituais, com um ou outro momento mais bem conseguido. Cumpre, sem deslumbrar.
Pontuação: 4/10

Os Invasores


Ano: 2006
Título original: Slither
Realizador: James Gunn

Oscares: 0
Tagline: "Horror Has a New Face"

Sinopse: "Na pacata cidade de Wheelsy as pessoas são amistosas e, como em qualquer pequena cidade, nada acontece. Mas algo maléfico, vindo do Espaço, chegou à pequena comunidade... e está a desenvolver-se."

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Apreciação: Adivinha quem vem jantar?. Poderia ser esta a premissa para este filme de terror/horror, que conta a história de uma invasão alienígena, numa pacata comunidade rural. James Gunn, estreando-se nas lides da realização com esta obra, optou por uma estética próxima de série-B. Delirante e imaginativo q.b., aposta num cerrado humor negro, com a quantidade de sustos normais para um filme desta dimensão, não se poupando também a esforços em oferecer generosas quantidades de gore. Em suma, uma obra que nada acrescenta ao género, mas que se vê, com alguma paciência, até final. Destaque para o protagonista Nathan Fillion, repescado da série "Firefly" e do filme "Serenity", que compõe o apropriado herói intrépido, espirituoso e dotado de doses maciças de coragem.
Pontuação: 5/10

A Praga


Ano: 2007
Título original: The Reaping
Realizador: Stephen Hopkins
Actores: Hilary Swank, David Morrissey, Idris Elba, AnnaShopia Robb, Stephen Rea

Oscares: 0
Tagline: "Thousands of years ago there was a series of bizarre occurrences that many believed to have been the Ten Biblical Plagues. No one thought they could happen again. Until now.

Sinopse: Katherine Winter (Hilary Swank) é uma ex missionária cristã que perdeu a sua fé depois de a sua família ser tragicamente assassinada e tornou-se desde então numa perita de renome mundial em desmascarar supostos fenómenos religiosos. Mas quando ela investiga uma pequena cidade do Louisiana que está a sofrer do que parecem ser pragas bíblicas, ela compreende que a ciência não pode explicar o que está a acontecer e que tem de recuperar a sua fé para combater as forças negras que ameaçam a comunidade.
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Apreciação: Decepcionante será a palavra de ordem para quem esperava mais, um filme ao estilo do Omen, protagonizado por Gregory Peck, em 1976. O início, cativante, é uma mordaz crítica aos milagres contemporâneos e à ignorância das pessoas, face à religião. Mas é sol de pouca dura, com a intriga a enredar-se num argumento algo confuso e inverosímel, com a pretensa sucessão de sustos, que servem apenas para mostrar alguns soberbos efeitos especiais, a desenrolar-se monotonamente, até ao epílogo final, que se queria grandioso. Nada resulta, a não ser a interpretação de Hilary Swank, que apesar disso não consegue salvar o filme. É um daqueles que me põe a pensar: "Para que é que eu gastei dinheiro nisto?"
Pontuação: 3/10

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

E a tua mãe também

Ano: 2001
Título Original: Y tu mamã también
Realizador: Alfonso Cuáron

Oscares: 0 [1 nomeação]

Tagline: "La vida tiene sus maneras de enseñarnos. La vida tiene sus maneras de confundirnos. La vida tiene sus maneras de cambiarnos. La vida tiene sus maneras de asombrarnos. La vida tiene sus maneras de herirnos. La vida tiene sus maneras de curarnos. La vida tiene sus maneras de inspirarnos. "

Sinopse: E a Tua Mãe Também" é um filme irreverente e comovente que explora o valor das relações, da amizade, do auto-conhecimento, do sexo e da essência da vida.Julio e Tenoch são dois amigos de 17 anos que embarcam juntamente com uma mulher mais velha numa viagem pelo México, em busca de umas férias paradisíacas. Com o decorrer da viagem os confrontos são inevitáveis pois ambos sentem-se apaixonados pela mesma mulher.Mas o que nenhum deles imagina são as experiências que vão aprender com esta nova etapa das suas vidas. Emocionante!

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Apreciação:Road-movie erótico? Será que o realizador descobriu um novo género cinematográfico? Ao bom estilo americano das longas viagens de carro, com os personagens procurando descobrir o sentido da vida ou meramente a si próprios, este filme resulta num olhar fresco e vivo sobre a sexualidade adolescente. Óptima criação de ambientes, num olhar que mistura ironia e empatia. Pouco ortodoxo filme de adolescentes, serviu para revelar 3 nomes a Hollywood: Bernal, Luna e Cuáron, todos eles cobiçados actualmente pelo mainstream de terras do Tio Sam. Uma pequena pérola.
Pontuação: 7/10

Jackie Brown


Ano: 1997
Título Original: Jackie Brown
Realizador: Quentin Tarantino
Actores: Pam Grier, Samuel L. Jackson, Robert Forster, Bridget Fonda, Michael Keaton, Robert de Niro, Lisa Gay Hamilton

Oscares: o [1 nomeação]
Tagline: "This Christmas, Santa's Got A Brand New Bag"

Sinopse: Uma hospedeira do ar, Jackie Brown (Grier), tem problemas com a lei (é apanhada). Um agente federal (Keaton) e um polícia de LA (Bowen) propõem-lhe que colabore na captura de Ordell Robbi (Jackson), traficante de armas, o que passaria pelo transporte de meio milhão de doláres da América do Sul para os EUA, para o apanhar com a mão na massa. Jackie tem de optar entre trair o "patrão", trair a polícia ou trair ambos. Ordell tem de lidar com ex-empregados com tendências loquazes, mas a ajuda, à medida que as coisas se complicam, pode não ser a melhor: um ajudante com um processador 286 no cérebro (De Niro) e uma loira invulgarmente chata e indigna de confiança (Fonda). Por seu lado, Jackie procura aconselhamento com Max Cherry (Forster), agente de fianças, com quem discute o poder de tentação de meio milhão de dólares.

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Apreciação: Aparecendo logo após Pulp Fiction, Jackie Brown tinha uma tarefa difícil, apesar dos repetidos avisos do seu realizador de que não esperassem uma sequela da obra-prima. Há quem acuse Taratino de não passar de alguém que devorou algumas centenas de filmes, e que a indigestão o leva a vomitar scripts que não passam de adaptações, colagens, "homenagens". É inevitável que existam referências passadas que marquem, tácita ou expressamente, cada nova obra cinematográfica e Tarantino faz o que faz extremamente bem, nomeadamente ao nível da escrita dos diálogos. Estes são, novamente, um dos pontos altos do filme, juntamente com o poderoso elenco. Tal como tinha feito com Pulp Fiction, ressuscitando Travolta, os holofotes mediáticos centram-se aqui em Pam Grier, uma estrela de finais da década de 70, de um género convencionado blaxploitation, entretando caída no esquecimento. Adaptando um livro de Elmore Leonard, o filme tem tudo o que um fã de Tarantino esperaria. Há quem o acuse de ter arrastado demasiado a sua duração. Não dei por isso. Tarantino em grande.
Pontuação: 7/10

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Pulp Fiction


Ano: 1994
Título Original: Pulp Fiction
Realizador: Quentin Tarantino

Oscares: 1 [melhor argumento] 6 nomeações
Tagline: "Girls like me don't make invitations like this to just anyone!"

Sinopse: Três histórias são apresentadas de forma não cronológica ao público. Em uma, conhecemos Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson), dois mafiosos que devem fazer uma cobrança, que termina em chacina e com uma violenta seqüência no carro. Em outra história, Vincent deve levar a mulher de seu chefe (Uma Thurman) para se divertir enquanto ele viaja, mesmo com todos os boatos que rodeiam o caso. Por último, conhecemos Butch Coolidge (Bruce Willis), um boxeador que deve lutar em um combate com vencedor pré-definido, mas que surpreende a todos, vence e foge com o dinheiro da luta para provar o seu valor, sendo perseguido logo após. Palma de Ouro em Cannes.

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Apreciação: Fã nº 1 de Tarantino? Quem, eu? Não, sou apenas mais um na cada vez mais vasta legião de adoração ao mestre. Sigo-o religiosamente desde Cães Danados. Pul Fiction é, provavelmente, uma das obras mais influentes do cinema moderno americano. Ama-se ou odeia-se, mas para quem gosta funciona como uma droga. Em cada novo visionamento, existe sempre algo mais, que nos tinha escapado anteriormente. Diágolos brilhantes, banda sonora escolhida a dedo, um elenco do outro mundo, é a obra-prima de Tarantino, injustiçada nos Oscares. Se eu fizesse uma lista dos 10 melhores filmes que vi - e não faço - Pulp Fiction estava lá. Em suma: obra genial e impossível de definir numa só palavra. Obrigatório.
Pontuação: 10/10

Assalto ao Arranha-Céus

Ano: 1988
Título Original: Die Hard
Realizador: John McTiernan

Oscares: 0 [4 nomeações]
Tagline: "Twelve terrorists. One cop. The odds are against John McClane... That's just the way he likes it."

Sinopse: No topo da cidade de Los Angeles, um grupo de terroristas invadiu um edifício, fez reféns e declarou guerra. Mas um homem conseguir escapar ao seu controlo, um polícia que não estava de serviço. Ele está agora sozinho, cansado, e é a única esperança possível. Bruce Willis é a estrela, no papel do detective John McClaine da cidade de Nova Iorque, acabado de chegar a Los Angeles para passar o Natal com a sua mulher (Bonnie Bedelia), de quem está separado. Mas enquanto McClaine espera que a festa do escritório da sua mulher termine, os terroristas tomam controlo do edifício. Enquanto o seu líder, Hans Gruber (Alan Rickman), e o seu feroz homem de confiança (Alexander Godunov) reúnem os reféns, McClaine consegue fugir sem que ninguém repare. Tendo como armas apenas o seu revólver de serviço e a sua astúcia, McClaine lança-se numa guerra solitária.

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Apreciação: Sem qualquer dúvida, um dos melhores filmes de acção de sempre. Electrizante, com um diferente tipo de herói. Um polícia estigmatizado na vida pessoal, cínico, sempre com uma piada ao canto da boca, num jogo do gato e do rato com os terroristas que invadem o arranha céus. John McClane tornou-se um ícone, catapultando Bruce Willis para a fama. Com algumas sequências de tensão emblemáticas, para a história ficam também algumas das frases míticas do detective solitário e com queda para a bebida: "Now I have a machine gun. Ho ho ho.", e a maior: “Yippee-ki-yay, motherfucker.”
Pontuação: 9/10

Amor Cão

Ano: 2000
Título Original: Amores Perros
Realizador: Alejandro Gonzalez Inarritu
Actores: Emilio Echevarria, Gael Garcia Bernal, Goya Toledo, Alvaro Guerrero

Oscares: 0 [1 nomeação]
Tagline: "Love. Betrayal. Death"

Sinopse: Três histórias. Três mundos ligados por um brutal acidente de carro. Octávio deseja fugir com Susana, mulher de seu irmão. O seu cão Cofi é o meio mais cruel de conseguir dinheiro para a fuga. Uma fuga onde o amor proibido é um caminho sem regresso. Daniel, um homem de 42 anos, deixa as mulheres e as filhas para ir viver com Valeria, uma bela modelo. No dia em que celebram a nova vida juntos, Valeria envolve-se num brutal acidente, que leva o casal a descer ao seu Inferno pessoal, onde o amor é o desespero. El Chivo, um vagabundo, aproxima-se do acidente e resgata Cofi, de quem trata e cura. Um assassino profissional libertado de um passado doloroso e da sua amargura. Três histórias, três mundos, uma pergunta... O que é o Amor?
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Apreciação: Um filme mexicano é, desde logo, uma espécie de ovni cinematográfico, neste País quase monopolizado por filmes em língua inglesa. Por isso, num misto de curiosidade, atraído pelo tom favorável da crítica, lá acabei por adquirir o dvd. Em boa hora, diga-se. Um filme que cruza histórias - neste caso 3 - a partir de uma cena comum não é inovador. Magnólia fez o mesmo, com o sucesso merecido que se sabe. O filme funciona como um murro no estômago, pela sua invulgar vibração dramática e pelo sentido trágico que se nota em todas as histórias. Dois nomes ficaram, a partir daqui, sob as luzes da ribalta: o realizador, mais tarde convidado para dirigir um dos filmes da saga Harry Potter, e Gael Garcia Bernal, que ganhou o passaporte para a fama internacional. Quanto ao filme, apenas uma palavra: FABULOSO!
Pontuação: 9/10

domingo, 9 de dezembro de 2007

Flyboys

Ano: 2006
Título Original: Flyboys
Realizador: Tony Bill

Oscares: 0
Tagline: "Born to Fly"

Sinopse: Em 1917, em plena Grande Guerra, as forças Aliadas do Império Britânico e da França travavam uma luta desesperada contra a supremacia das forças do Império Alemão. Enquanto milhares de jovens morriam no campo de batalha, os Estados Unidos, profundamente divididos, iam adiando a sua entrada no conflito. Alguns jovens americanos que discordavam da atitude do seu país voluntariaram-se para combater em defesa dos seus ideais, em França — alguns na infantaria, outros nas enfermarias. Outros houve ainda que decidiram aprender a pilotar aviões. O primeiro grupo deles — um esquadrão com apenas 38 pilotos – ficou conhecido como Esquadrilha Lafayette. A seu tempo, os Estados Unidos viriam a juntar-se à sua causa... e os destemidos pilotos da Esquadrilha viriam a tornar-se uma lenda.

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Apreciação: Chegando a Portugal já com o rótulo de um dos maiores flops de 2006, não foi difícil perceber o porquê de tão estrepitoso falhanço. Apesar da produção de Dean Devlin, ligado a blockbusters como "o Dia da Independência" ou "Godzilla", o modelo grandioso de espectáculo previsto cedo se reduziu a uma lógica académica de telefilme. Algumas - poucas - sequências de belos combates aéreos, a história de amor do costume, os habituais actos de heroísmo,tudo embrulhado num vistoso pacote e aí temos o produto pipoqueiro típico. Demasiado limpo e bonito, desperdiça uma excelente oportunidade de retratar o tema da I Guerra Mundial com maior profundidade, optando antes pela vertente do espectáculo para as massas. Dispensável.

Pontuação: 4/10

A Descida


Ano: 2005
Título original: The Descent
Realizador: Neil Marshall

Oscares: 0
Tagline: "Scream your last breath."

Sinopse: Um ano após um trágico acidente, seis amigas reencontram-se para a sua aventura anual nas montanhas remotas dos Apalaches. O grupo de jovens decide entrar nas grutas, em direcção às profundezas das terras. Rapidamente começam os problemas, quando a queda de uma rocha bloqueia o único local que as poderia conduzir de volta à superfície. Quando descobrem que ninguém as poderá salvar, pois as grutas nunca tinham sido exploradas, só lhes resta uma solução: separarem-se e encontrar uma saída alternativa. Com os instintos mais primários a virem ao de cima, elas apercebem-se que não se encontram sozinhas lá dentro...

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Apreciação: A solidez de construção, algo não muito habitual em filmes do género, faz deste filme um caso à parte no panorama de terror dos últimos anos. Fugindo ao estereotipo do terror adolescente, é interessante dentro do campo fantástico e com uma exploração genial da sensação de claustrofobia, que nos invade de forma galopante. Apesar de resvalar, na parte final, para o puro "gore", com sangue a rodos, mereceu sem dúvida o surpreendente êxito internacional, que valeu a consagração ao realizador Neil Marshall, também o responsável pelo excelente "Dog Soldires". Um nome a ter em conta e um filme imperdível.
Pontuação: 8/10

Sob suspeita


Ano: 2000
Título Original: Under Suspicion
Realizador: Stephen Hopkins
Actores: Morgan Freeman, Gene Hackman, Thomas Jane, Monica Belucci

Oscares: 0
Tagline: "Everyone has secrets. Some of them are crimes."

Sinopse: Após o brutal assassínio de duas jovens, Victor Benezet [Morgan Freeman] chama para depoimento o influente advogado, tambem seu amigo, Henry Hearst [Gene Hackman], presente nos lugares do crime. O pretenso interrogatório de rotina transforma-se numa noite longa e angustiante para o advogado, com a intensidade a subir de tom, forçando-o a revelar pormenores sórdidos da sua vida sentimental. O combate mental entre os agora adversários mostra-se cada vez mais perigoso...

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Apreciação: Remake de um filme francês, Sob Suspeita é um fracasso do princípio ao fim. Policial ambientado num clima tropical, tenta usar sem sucesso as fórmulas do "film noir", nunca chegando verdadeiramente a arrancar, devido à sua fraca estrutura dramática. Desperdício de óptimos actores, não consegue beneficiar do fulgor interpretativo de Gene Hackman e Freeman.
Pontuação: 4/10

Spartan

Ano: 2004
Título Original: Spartan
Realizador: David Mamet
Actores: Val Kilmer, Derek Luke, William H. Macy, Kristen Bell, Johnny Messner

Oscares: 0
Tagline: "She's missing"

Sinopse: Robert Scott (Val Kilmer), um oficial de uma força especial altamente secreta, é recrutado para encontrar Laura Newton (Kristen Bell), filha de um membro do governo, fazendo dupla com o novato Curtis (Derek Luke).Os dois deparam-se com uma rede de escravatura branca, que pode ter algumas ligações com o desaparecimento de Laura, mas o que parece ser uma tradicional missão de busca e resgate torna-se mais complicada pelas ambições políticas dos que estão nos locais de decisão, como Stoddard (William H. Macy), um operacional que parece saber mais do que diz. Scott e Curtis estão à beira de descobrir a localização de Laura quando a missão chega ao fim, com o anúncio da morte da rapariga. Scott regressa à sua tranquila vida numa localidade rural, à espera da sua próxima missão. Mas Curtis acredita que Laura ainda está viva. Se estiver, a investigação não oficial que se segue vai pô-los, a eles e a Laura, no centro de uma perigosa conspiração.

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Apreciação: Spartan é um daqueles filmes raros, que nos seduz lentamente. A construção do argumento é estimulante, enredando-nos numa teia de enganos, insinuando sem nunca concretizar tudo de uma vez. Sentimos a adrenalina a crescer, com a hábil escrita de Mamet, mais uma vez, a imprimir um ritmo penetrante e enigmático, onde nada é o que parece. Só se lamenta que o tempo passe tão depressa. Absorvente.
Pontuação: 7/10

Pleasantville

Ano: 1998
Título Original: Pleasantville
Realizador: Gary Gross
Actores: Tobey Maguire, Reese Whiterspoon, Jeff Daniels, William H. Macy, Joan Allen, JT Walsh

Oscares: 0 [3 nomeações]
Tagline: "Nothing Is As Simple As Black And White"

Sinopse: Pleasantville é a sátira a uma geração influenciada pelos sonhos que a televisão cria. Com efeitos especiais soberbos, este é o início, no campo da realização, do já nomeado para os Óscares, Gary Ross. Ansioso por escapar às confusões dos anos 90, David Wagner (Tobey Maguire) é um apaixonado por "Pleasantville", uma famosa série televisiva dos anos 50. Saudável e atrevido, o espectáculo decorre num local simples, numa época calma - os anos de ouro da televisão americana. A paixão de David não é partilhada pelo irmã Jennifer (Reese Witherspoon), até ao dia em que são capturados para o mundo de "Pleasantville". David e Jennifer passam a fazer parte do elenco da série televisiva e envolvem-se numa dimensão totalmente diferente, o seu mundo transformou-se em preto e branco. O que eles não imaginavam é que a sua presença fosse criar uma revolução cromática. "Em Pleasantville a chuva, a paixão e a cor não existem..., pelo menos, até hoje".

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Apreciação: Bem, a premissa não será das mais brilhantes, mas ultrapassando as reservas iniciais, Pleasantville tem muito para descobrir. Uma acerada sátira ao moralismo hipócrita vigente em muitos locais americanos, a perfeita cidade retratada aparece como o extremo dessa mesma moralidade, onde o sexo pré-marital é proibido, bem como o desejo de revoluções ou a liberdade de expressão. Aparecendo inicialmente como o Éden terrestre, mostra bem como a discriminação e censura podem inibir os movimentos libertários e as mudanças de um País preconceituoso. O filme funciona como um hino à liberdade e tolerância, com a dicotomia entre o preto e branco e a cor a funcionar como mensagem subliminar. Vale bem o tempo dispendido no seu visionamento.
Pontuação: 6/10